sábado, 3 de julho de 2010

A virtualização da cultura na efervescência das ciências

Historicamente as regiões sul e sudeste têm sido consideradas como as regiões que efetivamente construíram e ainda constroem a economia nacional. No entanto, sabemos da importância de outras regiões na construção de nossa nação.
No caso da região nordeste, atualmente a questão do bio- combustível ocupa lugar no debate nacional no que diz respeito ao aquecimento de uma economia auto-sustentável e de exportação. O fortalecimento da economia deve ser acompanhado do fortalecimento cultural, pois o mesmo é quem vai garantir a autonomia para definirmos posições políticas e econômicas no embate da negociação do quê, como, para quê e para quem produzir. Sendo assim, a comunidade cultural, diante da Globalização, é que faz com que a mesma não subsuma diante do poder econômico.
Da mesma forma, nas produções culturais nacionais não é raro a identificação da região nordeste como uma região inóspita, improdutiva, e incapaz de se auto-sustentar economicamente, a exemplo da seca retratada em alguns filmes.
Um dos desafios do indivíduo na pós-modernidade é se afirmar culturalmente com os valores de sua aldeia perante a sociedade globalizada. Este é o desafio a ser considerado pela sociedade em rede, a qual, segundo Castells (1999), configura-se como um novo sistema de comunicação que transforma radicalmente o espaço, o tempo e as dimensões fundamentais da vida humana. Localidades ficam despojadas de seu sentido cultural, histórico e geográfico e reintegram-se em redes funcionais ou em colagens de imagens, ocasionando um espaço de fluxos que substitui o espaço de lugares. O tempo é apagado no novo sistema de comunicação - já que passado, presente e futuro podem ser programados para interagir entre si na mesma mensagem. O espaço de fluxos e o tempo intemporal são as bases principais de uma nova cultura, que transcende e inclui a diversidade dos sistemas de representação historicamente transmitidos: a cultura da virtualidade real, em que o faz-de-conta vai se tornando realidade.
A rede mundial de computadores (internet) tem sido uma ferramenta essencial para o fortalecimento das culturas, na medida em que divulga – nacional e internacionalmente – os conteúdos necessários para o reconhecimento de povos e nações. Neste sentido, urge elaborarmos estratégias que, aliadas às ferramentas comunicacionais, possam contribuir para o reconhecimento de nossa comunidade cultural.
Personagens e fatos regionais podem retratar nossa efervescência cultural, desde que organizados didaticamente e seguindo a lógica da complexidade que os compõem. As Ciências da Informação, a Biblioteconomia, a Pedagogia e a Antropologia, bem como a História, compõem campos do conhecimento produzidos para fortalecer e divulgar os valores da humanidade, a qual – sem sombra de dúvidas – ajudamos a construir.
O uso das tecnologias digitais da informação e comunicação possibilita fidedignidade, qualidade e difusão de acervo já existente em meio físico, disponibilizando, sem fronteiras a cultura paraibana, no meio virtual.
Desta feita, um ambiente virtual passa a ser um dispositivo para ações educacionais nas diferentes modalidades (presencial e a distância). Com isso, incrementa-se sobremaneira a INCLUSÃO SOCIAL, a partir do acesso à cultura e à INCLUSÃO DIGITAL, por meio da utilização da rede mundial de computadores, em qualquer lugar do mundo.
O Ambiente virtual é um dispositivo presente na rede mundial de computadores que pode difundir, para além das fronteiras geográficas, a importância de toda e qualquer cultura. No nosso caso em particular, este dispositivo reforça nossa produção e identidade cultural.
Uma das características culturais dos tempos pós-modernos é que a tecnologia permite ao indivíduo o acesso imediato a múltiplas influências culturais. Por conseguinte, ocorre o caso de ele ficar alienado de sua própria cultura não sabendo se afirmar perante as demais.
Na medida em que os documentos de personagens e fatos de uma determinada região se encontrem em processo de digitalização, a cultura histórica está sendo fortalecida, pois, as peculiaridades culturais são materializadas na sua historicidade.
Daí a importância de colocar os dados de um arquivo, de uma biblioteca ou de um museu no ciberespaço – no espaço virtual – pois eles possibilitarão o acesso ilimitado de suas informações a toda a sociedade em rede, permitindo, por vezes, a retro-alimentação.


Mabel Ribeiro Petrucci